domingo, outubro 27, 2002

Porquê, Como e Quando Destruir os EUA

A entrevista a seguir, foi feita por um repórter da televisão Al-Jazeera com o terceiro homem em comando da organização Al Qaeda, o Sr. Mohammed Al-Asuquf.
Al-Asuquf tem uma qualificação impressionante, doutor em física e mestrado em economia internacional. Na entrevista, ele fala dos planos da Al Qaeda com total desprendimento, conhecimento de causa e transmite uma segurança inabalável. Esta entrevista foi enviada a Abel-Bari Atwan, editor-chefe do Al Quds, um jornal de língua árabe publicado em Londres, mas não chegou a ser publicada, pois seu conteúdo é muito revelador. Uma cópia da entrevista foi parar em Foz do Iguaçu, onde foi traduzida para o português por um professor universitário da comunidade árabe daquela cidade.
Não é meu objetivo aqui discutir a veracidade ou não do conteúdo da entrevista, mas sim, apenas torná-la de conhecimento público. Não vou, nesta oportunidade, manifestar qualquer comentário a respeito. Cada qual que tire sua própria conclusão e, em desejando manifestar sua opinião, sintam-se à vontade para comentar. Não vou comentar, também, como tal material me chegou às mãos. Esta é provavelmente a única versão, que não em árabe, desta entrevista.

Ei-la, na íntegra:

Al-Jazeera - Qual o objetivo da rede Al Qaeda?
Al-Asuquf - Destruir o Grande Satã, isto é, os Estados Unidos e Israel.
Al-Jazeera - Por quê?
Al-Asuquf - Os EUA vêm ao longo de 60 anos impregnando o mundo com a sua arrogância, ganância e maleficência. É a encarnação de tudo que é mal. As pessoas que vivem nesse planeta não merecem este martírio.
Al-Jazeera - Esta visão não é um tanto unilateral?
Al-Asuquf - Não, é só você observar os últimos acontecimentos. O desrespeito ao Tratado de Kyoto, o caso do Tribunal Penal Internacional Permanente, a inatividade em relação aos nossos irmãos palestinos, a ganância financeira com especulações absurdas sobre os países do terceiro mundo, o descaso completo com outros povos oprimidos e outras infinidades de situações que todos os chefes de estado ao redor do mundo conhecem. E para coroar a situação: a doutrina Bush de “atirar primeiro e perguntar depois”. Isso é um abuso inaceitável e portanto terá conseqüências muito graves.
Al-Jazeera - Mas o desenvolvimento e a influência americana não é fruto de uma competência?
Al-Asuquf - Competência em extorquir, competência em subjulgar, competência em mentir. Após a Segunda Guerra Mundial, o EUA era o único país industrializado com o seu parque de fábricas intacto. Emprestando dinheiro, com um bom agiota, acabou por ser tornar um país rico e poderoso, porém, sua ganância não foi reduzida. Hoje os americanos vivem como nababos, desperdiçam como nenhum outro povo, gastam cerca de 80 bilhões de dólares, por ano, só em apostas. Perderam a noção de espiritualidade e vivem com constante pecado. A cada dia que passa os EUA demonstram que não sabem viver com outros povos, por isso, merece ser destruído.
Al-Jazeera - Não seria mais fácil assassinar o presidente George W, Bush?
Al-Asuquf - Em primeiro lugar não iria adiantar nada, além, talvez, de transformá-lo em mártir. Quando você tem um inimigo poderoso pela frente a melhor estratégia é não matá-o e sim fazer ele perder a liderança por incopetência e deixá-lo viver para ver isto acontecer.
Al-Jazeera - O presidente George W. Bush classifica o Iran, o Iraque e a Coréia do Norte como o “Eixo do Mal”, como o senhor vê isto?
Al-Asuquf - Isto depende de ponto de vista de quem vê. Talvez, na visão americana, o EUA, a Inglaterra e Israel seriam o “Eixo do Bem”? Difícil concordar. Quando o presidente Bush diz em seus discursos, “em nome da liberdade”, deve-se traduzir: “em nome de nossos interesses econômicos, custe o que custar”, portanto, cada um diz o que quer.
Al-Jazeera - Que autoridade tem a Al Qaeda para atacar os EUA?
Al-Asuquf - Inimigo sempre foi inimigo, desde o princ ípio dos tempos. A própria igreja católica, tão humanista, prevê isto. Basta ler o Salmo 109 da bíblia para ver do que estou falando.
Al-Jazeera - Por falar em religião, a Al Qaeda é contra todas as outras religiões que não a Islâmica?
Al-Asuquf - Não. A convivência pacífica entre as religiões é possível, porém somos contra todos aqueles que não são tementes a Deus, são gananciosos e possuem o mal em seus corações. Justamente por isso que prejudicam outras pessoas, são pecaminosas e merecem o castigo certo.
Al-Jazeera - A rede Al Qaeda tem capacidade bélica de guerrear com os EUA?
Al-Asuquf - Se analisarmos a história, veremos que toda grande guerra antes de ser iniciada era baseada em conceitos já estabelecidos. Mas observando bem, estes conceitos e estratégias de nada adiantaram, pois, uma outra forma de guerra estava por ser travada. Um exemplo foi a construção da Linha Maginot pelos franceses após a primeira guerra mundial e que na realidade se mostrou completamente inútil diante das forças invasoras Os porta-aviões, submarinos nucleares, satélites espiões de nada adiantarão na próxima guerra.
Al-Jazeera - Autoridades americanas mantém mais de 1000 pessoas suspeitas de terrorismo após 11 de setembro, isto não compromete os planos da Al Qaeda?
Al-Asuquf - Destas pessoas presas talvez 20 ou 30 pertençam a Al Qaeda. Porém, são do segundo escalão. Nós possuímos mais de 500 integrantes do primeiro escalão e 800 do segundo escalão dentro dos EUA.
Al-Jazeera - O que significa primeiro ou segundo escalão?
Al-Asuquf - Primeiro escalão são integrantes da Al Qaeda que se encontram nos EUA há mais de dez anos, muito deles casados e com filhos. Conhecem por alto os planos e estão apenas aguardando um telefonema. Também são conhecidos por “adormecidos”. Os de segundo escalão chegaram nos últimos 5 anos e não possuem a mínima idéia dos planos.
Al-Jazeera - Mesmo os casados, com filhos, estariam dispostos a morrer com suas famílias?
Al-Asuquf - Sim. Todos estão dispostos a morrer. Vide 11 de setembro.
Al-Jazeera - Nos planos gerais da Al Qaeda o que foi 11 de setembro?
Al-Asuquf - Numa escala geral, foi apenas o início. Foi apenas uma maneira de chamar a atenção do mundo para o que ainda virá.
Al-Jazeera - Quantos membros a Al Qaeda possui?
Al-Asuquf - De primeiro escalão, perto de 5 mil, de segundo escalão, perto de 20 mil ao redor do mundo.
Al-Jazeera - Na prisão de Guantanamo tém algum integrante do primeiro escalão?
Al-Asuquf - Não, inclusive muitos nem são da rede Al Qaeda.
Al-Jazeera - Como a Al Qaeda pretende destruir a nação mais poderosa de toda a história?
Al-Asuquf - É uma questão de logística. Usando o seu próprio veneno, isto é, atacando o coração do que eles consideram a coisa mais importante neste mundo: o dinheiro.
Al-Jazeera - Como assim?
Al-Asuquf - A economia americana, é uma economia da falsas aparências. Não existe lastro econômico real para a economia americana. O PIB americano é algo entorno de 10 trilhões de dólares, sendo que apenas 1% vem da agropecuária, apenas 24% vem da indústria. Portanto 75% do PIB americano vem de serviços e grande parte disto são especulações financeiras. Para quem entende de economia, e ao que parece o secretário do tesouro americano, Paul O’Neil não entende ou não enxerga, baste ver que os EUA como um todo, se comporta como uma imensa companhia “ponto-com” e os dólares propriamente dito são suas ações.
Al-Jazeera - O senhor pode explicar mais?
Al-Asuquf - O valor das ações de uma companhia é diretamente proporcional à rentabilidade desta empresa. Quando a empresa é apenas prestadora de serviço e não produz bens, o valor de suas ações depende de sua credibilidade. O que quero dizer é que se a credibilidade os EUA for abalada, suas ações (o dólar), irão cair numa velocidade impressionante e toda a economia americana entrar á em colapso.
Al-Jazeera - Como o senhor tem certeza disto?
Al-Asuquf - Em escala menor, é exatamente o que os grandes grupos financeiros fazem com países do terceiro mundo para conseguir rentabilidades em um mês o que nenhum banco suíço poderia dar em 4 ou 5 anos.
Al-Jazeera - Como, portanto, a Al Qaeda conseguiria abalar a economia americana a esse ponto?
Al-Asuquf - Provocando um déficit de 50 a 70 trilhões de dólares, o equivalente ao PIB de 5 a 7 anos dos EUA.
Al-Jazeera - Como isto seria feito?
Al-Asuquf - Com a destruição das 7 maiores cidades americanas e mais algumas medidas.
Al-Jazeera - Isto seria feito através de que método?
Al-Asuquf - usando bombas atômicas.
Al-Jazeera - Com toda a segurança nos EUA como, hipoteticamente, estas bombas seriam lançadas em solo americano?
Al-Asuquf - Elas não serão lançadas, elas já estão lá.
Al-Jazeera - O que o senhor está dizendo?
Al-Asuquf - Já existe 7 ogivas nucleares em solo americano que foram colocadas antes do 11 de setembro e estão prontas para serem detonadas.
Al-Jazeera - Como elas entraram nos EUA?
Al-Asuquf - Antes do 11 de setembro a segurança americana era um fiasco, e mesmo depois, se fosse necessário, também conseguiríamos colocar as bombas nos EUA. Elas entraram através dos portos marítimos, como cargas normais.
Al-Jazeera - Como isto é possível?
Al-Asuquf - Uma ogiva nuclear não é maior que um geladeira, portanto, pode ser facilmente camuflada como uma. Em um porto marítimo chegam milhares de contêineres por dia, por mais eficiente que seja a segurança, é impossível checar, vasculhar e examinar cada contêiner.
Al-Jazeera - De onde vieram estas bombas atômicas?
Al-Asuquf - Foram compradas no mercado negro.
Al-Jazeera - De quem?
Al-Asuquf - Da antiga URSS compramos 5 e do Paquistão mais 2.
Al-Jazeera - Como é possível comprar uma bomba atômica, não existe segurança?
Al-Asuquf - Antes de 1999 era praticamente impossível, porém após a queda do muro de Berlim, o exército russo entrou em um processo de autofagia e alguns generais de alto escalão começaram a perder seus privilégios, portanto, ficaram altamente susceptíveis as corrupções. O próprio General Lebeb, já falecido, e o chefe da comissão de inspetores de armas da ONU , Hans Blix já sabiam disto, apesar do ministro da defesa russo, Serguey Ivanov negar.
Al-Jazeera - Quanto custa uma bomba nuclear?
Al-Asuquf - Algo em torno de 200 milhões de dólares.
Al-Jazeera - Como a Al Qaeda conseguiu este dinheiro?
Al-Asuquf - Temos vários patrocinadores.
Al-Jazeera - Quem são eles?
Al-Asuquf - Existem vários países que nos patrocinam e mais algumas pessoas muito ricas.
Al-Jazeera - São todos países árabes?
Al-Asuquf - Não, existem, inclusive, países da Europa que também têm interesse na queda dos EUA.
Al-Jazeera - Quem são esses pessoas ricas?
Al-Asuquf - Pessoas que também se cansaram de ver os EUA sugando o resto do mundo.
Al-Jazeera - Saddam Hussein é uma delas?
Al-Asuquf - Poderia se dizer que é apenas um dos colaboradores, na pessoa de Abdul Tawab Mullah Hawaish, seu vice primeiro ministro e responsável pelos programas de armas do Iraque.
Al-Jazeera - Estas bomas atômicas são de que potência?
Al-Asuquf - As 5 ogivas russas são dos antigos mísseis T-3, também conhecidos como, RD-107 e sua potência é algo em torno de 100 Kilotons cada uma, isto é, 5 vezes a bomba de Hirochima. As paquistanesas são menos potentes, algo em torno de 10 Kilotons.
Al-Jazeera - As bombas não podem ser detectadas e desarmadas pelas autoridades americanas?
Al-Asuquf - Não. Apesar de antigas elas sofreram modernizações e estão muito bem escondidas. Mesmo que fossem localizadas, elas possuem dispositivos de autodetonação se alguma coisa de aproximar. Mesmo pulsos eletromagnéticos não são capazes de desativá-las.
Al-Jazeera - Elas não emitem radiação? Não podem ser detectadas?
Al-Asuquf - Não. Elas estão envoltas em grossas paredes de chumbo.
Al-Jazeera - Um navio paquistanês, suspeito, há pouco tempo foi vistoriado e só encontraram barras de chumbo. Isto tem alguma coisa a ver com as bombas?
Al-Asuquf - Sim, porém aquele chumbo seria apenas uma cobertura extra, não necessariamente fundamental.
Al-Jazeera - Como estas bombas seriam detonadas?
Al-Asuquf - Existem vários métodos, ligação por celular, rádio freqüência, abalos sísmicos ou pelo seu relógio regressivo.
Al-Jazeera - Uma vez detonadas, estas bombas causariam a morte de quantas pessoas?
Al-Asuquf - Depende, pois o plano é muito maleável.
Al-Jazeera - Qual é, portanto, todo o plano?
Al-Asuquf - A princípio seria detonada uma ogiva, o quê iria provocar a morte de 800 mil a 1 milhão de pessoas e provocaria um caos de proporções nunca antes vistas. Durante este caos, mais 2 ou 3 aviões agrícolas que se encontram desmontados em celeiros perto de estradas sem movimento do interior dos EUA levantariam vôo para pulverizar mais de 2 ou 3 grandes cidades americanas com varíola, em missões suicidas. Isto significa que uma vez identificada a varíola, todos os portos aéreos e marítimos seriam fechados para quarentena. As fronteiras terrestres também se fechariam. Nenhum avião, barco ou veículo terrestre sairia ou entraria nos EUA, Isto seria o caos total. O secretário da imprensa da Casa Branca, Ari Fleischer terá muito trabalho para fazer.
Al-Jazeera - Mas o governo americano garantiu que em 5 dias poderia produzir vacina contra a varíola para toda a população.
Al-Asuquf - Ataques suicidas paralelos serão feitos contra as fábricas das vacinas.
Al-Jazeera - Qual seria a primeira cidade?
Al-Asuquf - A primeira cidade será a que melhores condições apresentar, por exemplo, céu claro, ventos de 8 ou mais milhas/hora em direção ao centro do país, para que a poeira radioativa possa contaminar a maior área possível.
Al-Jazeera - Esse ataque aniquilaria os EUA?
Al-Asuquf - Não. Mas o processo estaria iniciado. Quem iria comprar algum alimento dos EUA sabendo que poderia estar contaminado por radiação? Quem iria viajar para os EUA sabendo da possibilidade de contrair varíola? Quem continuaria a investir dinheiro em instituições americanas? Como no WTC, seria apenas uma questão de tempo para toda a estrutura econômica ruir e virar pó. Se os objetivos forem alcançados com uma bomba e a varíola, provavelmente iremos poupar a vidas de outras pessoas, porém é arriscado e provavelmente mais 6 bombas atômicas serão detonadas, uma por semana, e mais ataques com armas químicas serão efetuados.
Al-Jazeera - Quantas pessoas inocentes morrerão?
Al-Asuquf - Segundo estimativas feitas por mim e Ayman Al-Zawahiri algo em torno de 15 milhões, devido às bombas atômicas e sua radiação. Das contaminadas por varíola, 25% morrerão, algo em torno de mais de 5 milhões e muito outras devido ao caos e a deordem instalada. Um médico ou um músico terão a mesma qualificação para salvar os feridos, pois os hospitais que ainda restarem serão insuficientes para tratar não mais que 1% dos atingidos.
Al-Jazeera - Mas a resposta militar americana?
Al-Asuquf - Praticamente não haverá. Mesmo que 5 ou 10 cidades sejam escolhidas de maneira aleatória para serem destruídas, ainda será um preço pequeno para pagar. O problema é que o desespero econômico será tão grande que até poupar de gastar armas desnecessariamente ocorrerá, pois a liquidez de bens americanos ficará quase a zero e nesta altura os EUA ganharão mais vendendo um porta-aviões da classo Nimitz que custa perto de 5 bilhões de dólares para a Turquia ou Itália por 1 bilhão de dólares, pois precisarão se racapitalizar de maneira urgente, por ém será tarde de mais. Além de mais, qual será o moral de um soldado americano de lutar sabendo que toda a sua família morreu e seu país deixou de existir. Lutar pelo quê?
Al-Jazeera - A economia mundial, também, não ruirá?
Al-Asuquf - No início será muito difícil, uma grave crise econômica se instalará. Porém sem os EUA o mundo logo se erguerá de maneira mais justa e fraterna.
Al-Jazeera - E Israel?
Al-Asuquf - Como vocês dizem ... será a sobremesa.
Al-Jazeera - O porta voz de Bin Laden, Sulaiman Abu Gheith, sabe que o senhor deu esta entrevista?
Al-Asuquf - Foi ele e Bin Laden que me sugeriram que desse a entrevista.
Al-Jazeera - Hosama Bin Laden está vivo?
Al-Asuquf - Vivo e com muita saúde, ao lado de seus comandantes, Mohammed Atef e Khalid Shaik Mohammed e o Mulá Omar.
Al-Jazeera - E o senhor não receia que venham a descobrir os planos da Al Qaeda?
Al-Asuquf - O plano já está em sua contagem regressiva, nada mais poderá pará-lo.
Al-Jazeera - Nem mesmo um pedido de desculpas e novas atitudes por parte dos EUA?
Al-Asuquf - Isso não aconteceria e mesmo assim é tarde demais.
Al-Jazeera - Quando será iniciado o ataque?
Al-Asuquf - Não posso revelar, mas será em breve. Allah Akbar (Deus é grande)
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terça-feira, outubro 01, 2002

Voto Eletrônico: É Mais Perigoso Votar Assim!


Urnas Eletrônicas colocam em risco a democracia do País.
Um país do Zerézimo Mundo


A esperança de ingressar no “Primeiro Mundo” tem aparecido em muitos momentos e ambientes da sociedade brasileira. É uma ambição eticamente aceita e também é um fator desencadeante de ações que estimulam a nosso desenvolvimento social.Um dos fatos que tem sido citado como exemplo de que o Brasil caminha firme para o primeiro mundo, é o pionerismo do nosso sistema eleitoral informatizado.

Desde a década do 80, a nossa Justiça Eleitoral, em seus diversos níveis, ensaiava o uso da informática dentro do processo eleitoral. Em 1982, tivemos a malfadada tentativa do TRE-RJ de informatizar a totalização dos votos e que acabou num grande escândalo, a primeira fraude eleitoral informatizada, que ficou conhecido como Caso Proconsult, a qual respingou inclusive sobre a imagem o antigo SNI, hoje chamado de ABIN (Agência Brasileira de Inteligência, a nossa CIA - guardadas as proporções, naturalmente)

Em 1985, o TSE começou o processo de recadastramento dos eleitores. Novas tentativas de informatização da totalização foram sendo feitas até que em 1996, com a adoção da Urna Eletrônica, foram informatizadas a identificação do eleitor no momento da votação, a própria votação e a apuração dos votos de cada seção eleitoral.

A Urna Eletrônica foi implantada em três etapas, nas eleições de 1996, 1998 e 2000, atingindo um terço do eleitorado de cada vez, de forma que no ano de 2000 o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a ter 100% dos eleitores votando num processo 100% informatizado, em todas as suas etapas, desde o cadastro dos eleitores, passando pela a identificação destes na hora do voto, a votação propriamente dita, a apuração dos votos de cada urna, a totalização dos votos até a divulgação dos resultados pela Internet.

E para muitos este é um motivo de inegável orgulho, uma prova do desenvolvimento tecnológico do Brasil.

Mas… para muitos outros ficam algumas dúvidas:

Por que outros países, econômica e tecnologicamente mais desenvolvidos que o Brasil, ainda não informatizaram todo o processo eleitoral, especialmente a apuração dos votos? Por que os países que nos vendem as peças e os programas básicos das urnas eletrônicas, não informatizam eles mesmos suas eleições? Por que a ABIN continua tendo participação ativa dentro do processo eleitoral? Talvez o Brasil não esteja na linha de frente do domínio da tecnologia de informatização do voto e sim tenha ultrapassado esta linha de maneira precipitada e imprudente.

O que se coloca aqui é um convite ao eleitor brasileiro para que reflita com calma, e sem ufanismo simplório, se o caminho da informatização do processo eleitoral brasileiro está sendo construído sobre bases sólidas ou sobre mitos, conluios e enganações.

A credibilidade de uma democracia no mundo moderno se constrói começando pela confiabilidade do seu processo eleitoral e este, por sua vez, está apoiado em três pés: a votação, a apuração e a fiscalização. Na firmeza de cada uma destas pernas do processo eleitoral se apoiará a legitimidade final da democracia de um país.

Infelizmente a credibilidade de nossa democracia está totalmente comprometida pela falta de transparência do nosso processo eleitoral informatizado. Quem conhece e analisa os detalhes, verifica que a votação eletrônica brasileira foi construída de maneira que a fiscalização externa é totalmente inócua.

Quebra-se, assim, uma das pernas de sustentação do modelo de confiabilidade eleitoral e, por conseqüência, nossa democracia perde credibilidade e até legitimidade.

A penúltima etapa do processo eleitoral informatizado no Brasil, a apuração dos votos de cada seção eleitoral, foi implementada por meio de uma máquina de votar inauditável, uma verdadeira “caixa preta” da qual nenhum partido político, fiscal ou auditor externo ao Tribunal Superior Eleitoral, TSE, jamais teve acesso para conferir sua integridade.

Apesar da desinformação provocada pela Justiça Eleitoral, que insiste em divulgar que tudo é transparente e conferido pelos partidos, a avaliação sobre o sistema informatizado de eleições, feito pela Unicamp e recentemente divulgado, revela de forma inequívoca que existiam, sim, programas de computador mantidos secretos pelo TSE até 2000 e que aos partidos políticos não era possível conferir os programas efetivamente colocados nas urnas eletrônicas, se estavam íntegros ou se teriam sido modificados.

E como já aconteceu em 1996, 1998 e 2000, nas eleições de 2002 também se utilizará máquinas de votar nas quais não há como se recontar os votos nem os partidos políticos tiveram disponíveis meios técnicos satisfatórios para conferir a integridade de seus programas.

Em agosto de 2002, na apresentação dos programas de computador do TSE aos partidos políticos, ocorreram lances muito significativos.

O código do Sistema Operacional VirtuOS só poderia ser visto e analisado por apenas 3 dias, pelos técnicos que pagassem R$ 250.000,00 à empresa proprietária do programa. Nenhum partido concordou com este pagamento e, consequentemente, nenhum partido analisou o seu conteúdo que estará instalado em mais de 360.000 urnas eletrônicas.

As demais 50.000 urnas eletrônicas conterão outro Sistema Operacional, o Windows CE, que apesar de ter seu código aberto aos fiscais, tem um porte desmesurado com seus mais de seis mil programas e dois milhões de linhas de código, de forma que nenhum dos partidos políticos analisou sequer 1% do seu conteúdo, nos cinco dias em que estiveram disponíveis.

Todos os técnicos que estiveram presentes a esta apresentação, mesmo os que manifestaram confiança no sistema, declararam que em cinco dias é impossível se avaliar o sistema por inteiro. Os técnicos da Unicamp nem aceitaram a tarefa de avaliar o sistema de 2002 por causa desta exigüidade de tempo. Cabe uma pergunta:

Será que um sistema eleitoral, que não permite conferência da apuração e nem passa por auditoria externa independente, pode ser chamado de “coisa do Primeiro Mundo”?

Para escapar do debate sobre esta questão e esconder o modelo de segurança obscurantista que adotou desde 1996, o TSE tem desenvolvido um grande trabalho de propaganda e de assessoria de imprensa para difundir a idéia de que o Sistema Eletrônico de Votação é 100% seguro contra fraudes e que o eleitor e os partidos podem confiar cegamente nas capacitação técnica da Justiça Eleitoral. E tem conseguido algum sucesso nesta empreitada de criar uma imagem de segurança que deixe a população tranqüila.

Para atingir este nível de confiança, não se poupou esforços nem se respeitou com muito rigor princípios morais e legais, como a transparência dos atos do serviço público. Baseados no eticamente discutível princípio maquiavélico, de que o fim justifica os meios, funcionários do TSE não se importaram em sacrificar a verdade para tentar convencer o eleitorado de que o sistema por eles trazido é confiável.

O primeiro grande engodo, dito repetidamente por quase todos os administradores do processo eleitoral, em todas as suas instâncias, é que o sistema é 100% seguro contra fraudes. Se isto fosse verdade o Brasil teria conseguido criar o único sistema informatizado 100% seguro do mundo! E isto, certamente, não é verdade.

Para justificar este grande engodo, uma porção de outras mentiras tem sido contadas por representantes da Justiça Eleitoral, e inadvertidamente repetidas pela imprensa em geral, ao longo do últimos quatro anos, tais como:

=> Todos os programas da urna são analisados pelos partidos políticos;
=> Violar a urna eletrônica é impossível sem se romper seus lacres;
=> A rede de computadores do TSE é à prova de invasões (inclusive por agentes internos mal intencionados);
=> A zerézima garante que a urna eletrônica está vazia antes da votação se iniciar.

E aqui surge o título deste artigo…

Zerézima é um neologismo criado pelo corpo técnico do TSE para designar o relatório impresso pela urna eletrônica, no início do processo de votação, onde o nome de cada candidato aparece como tendo zero votos. Segundo estes técnicos do TSE, a zerézima é a “garantia” de que não existem votos previamente depositados nas memórias da urna eletrônica.

Mas será mesmo uma garantia?

Certamente, não é. Qualquer programador de computador, mesmo iniciante, sabe que é possível se imprimir uma coisa, a zerézima por exemplo, e guardar outra coisa na memória do computador e também sabe que é perfeitamente possível começar o processo de votação e apuração com zero votos para todos os candidatos e depois ir desviando uma porcentagem dos votos conforme estes forem sendo dados.

Se a zerézima é o que o TSE pode nos oferecer como garantia de lisura na apuração, então não temos garantia real nenhuma, e em vez de ingressarmos no Primeiro Mundo, onde idealmente a apuração das eleições públicas deveriam ser claras e transparentes, a Urna Eletrônica remete o Brasil diretamente ao Zerézimo Mundo, onde o eleitor não pode ver o seu próprio voto e a oposição não tem como fiscalizar a apuração.

… e o Zerézimo Mundo é qualquer coisa, menos uma democracia verdadeira.
Gostou?
Será Petróleo?